Entrevista com brasileira que mora nos EUA – parte 2

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Hoje publico, conforme anunciado, a segunda parte da entrevista com a Ariana Leto, brasileira que resolveu “se aventurar” nos EUA para estudar e aprimorar o seu inglês. Leiam a parte 2:

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Você fez curso em Harvard, que é uma universidades mais bem conceituadas do mundo. Como é estudar lá?

Estudar em Harvard foi a realização de um sonho que eu jamais achei que eu conseguiria. Desde que consigo me lembrar, sempre falei que eu queria morar fora e que eu queria estudar lá. E consegui! Eu fiz um curso de ESL – English as a Second Language (Inglês como Segunda Lingua, numa tradução livre) – durante a primavera de 2011. Eu fiz o teste de nível, que é formado por questões de listening e de reading. Eu fiquei no nível D, que é o nível avançado. No primeiro dia de aula, tivemos que escrever um artigo, defendendo nosso ponto de vista relativo ao tópico dado pela professora. O curso é bem puxado, com muuuita coisa pra ler e pesquisar. As aulas são dinâmicas, com bastante discussão em tópicos diversos. Cada semestre, a faculdade desenvolve um tema no qual as aulas vão ser baseadas: no semestre em que eu estava lá, o tópico era a NASCAR – sim, corridas de carro. Imagina uma sala com 13 mulheres conversando sobre corrida de carro! Mas, durante o semestre, outros tópicos foram abordados, como racismo, preconceito religioso, preconceito com deficiente físico, a mulher na sociedade… enfim. E, de alguma forma, todos os tópicos se ligavam a NASCAR. A Harvard me ensinou a colocar meu senso crítico pra trabalhar a todo momento. É engraçado porque no decorrer das aulas, e mesmo depois que as aulas acabaram, eu não consigo mais ler uma notícia e não interpretá-la. Eu leio parte por parte e fico pensando, analisando tudo. Harvard treina seu cérebro pra sair da zona de conforto de pensar como todo mundo e analisar e expressar a sua opinião. Eu amei! Melhor experiência da minha vida, com certeza.

living in USA

Você enfrentou muita burocracia para entrar nos EUA? Seu visto é temporário ou permanente?

O processo pra conseguir o visto americano é bem chato. Temos que preencher formulários online e, depois, ir ao consulado. Depois que eu consegui meu visto, o processo mudou: agora é necessário ir primeiro no departamento responsável pelas digitais em um dia, e no outro, ir ao consulado pra entrevista em si. Minha experiência foi assim: meu visto estava marcado pro dia 7 de julho de 2011, as 7:30 da manhã. Cheguei lá por volta das 7, e a fila ja estava imensa. Não é possível ter acompanhante lá dentro do consulado, telefone é proibido e bolsas não são tão bem vindas. A entrevista em si foi tranquila: a cônsul perguntou meu nome, idade e o que eu estava indo fazer nos EUA. Respondi que seria au pair. A partir desse momento, a entrevista foi em inglês. Ela pediu pra que eu falasse da minha cidade aí no Brasil, perguntou onde eu iria morar aqui, de quantas crianças ia cuidar, o nome dos meus host parents… perguntou se eu trabalhava e com o que, se já era formada na faculdade e com quem eu morava no Brasil. Aí ela digitou por uns minutos – que pareceram uma eternidade – e disse que meu visto tinha sido aprovado. Meu visto é o J-1, que é o de estudante. Porém, no visto vem escrito que eu sou participante do programa de au pair. Esse visto tem duração de 1 ano. No caso de a pessoa estender o programa por mais um ano (como é o meu caso), nós recebemos uma autorização do governo americano pra ficar no pais. Essa autorização não permite que a gente saia do país durante o segundo ano: o que caracteriza que estamos aptos a entrar de volta é o visto no passaporte que, no caso da exteno, está vencido.

Como era seu nível de inglês antes de viajar? Você considera que teve uma boa evolução? Você acha que é necessário ser fluente para morar no exterior?

Eu estudo inglês desde os meus 10/11 anos. Fiz um curso de quatro anos e meio em uma escola de idiomas, e depois continuei estudando por conta própria: ouvindo muita música, vendo inúmeros filmes e seriados, lendo… Como disse antes, me formei em Letras em 2009 e em 2010 comecei a trabalhar dando aulas de inglês. O primeiro contato com a língua no dia a dia americano foi um pouco assustador, mas me acostumei. Eu acho que sim, tive uma grande evolução: ser cara de pau ajuda nesse quesito hahaha … Não acho que seja necessário ter fluência no idioma, mas um conhecimento intermediário, no mínimo. Conheci muitas meninas que vieram com o básico do básico e sofreram bastante. Outro erro é se fechar em grupinhos de brasileiros: faça amizade com pessoas de outros países, é uma oportunidade única. Fiquei muito amiga de uma sueca que conheci em Massachusetts, durante meu primeiro ano. E no treinamento que tive em New Jersey, antes de ir pra casa da minha host family, me aproximei bastante de uma mexicana e uma alemã. E continuo a falar com elas ate hoje. Com elas e com outros ‘international friends’ que eu fiz aqui.

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Por hoje é isto. Espero que estejam gostando da entrevista. Amanhã a terceira e última parte. Até lá!

Ueritom

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